Peregrinar neste blogue

2007-03-18

Ciclo Lições de Gestão - III

Esta é a terceira lição! Aproveito, também, para agradecer todos os comentários que têm feito aos meus posts. Têm demonstrado que, de alguma forma, permitem uma reflexão sobre o dia - a - dia do mundo do trabalho. Pelo menos é essa a minha intenção e, a avaliar pelos comentários, penso que a mensagem tem passado!! ;)


Lição Nº 3 - Zona de Conforto

Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um
pequeno coelho vê o corvo e pergunta: "Eu posso-me sentar como tu e
não fazer nada o dia inteiro?" O corvo responde: "Claro, porque não?"
O coelho senta-se no chão em baixo da árvore e relaxa. De repente uma
raposa aparece e come o coelho.

Moral da História:
Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar sentado bem no alto

11 comentários:

Ai meu Deus disse...

...reflexão sobre o dia-a-dia, certamente. Mas mais, e mais interessante: a conjugação, muito conseguida, da "moral da estória" com "conhecimentos objectivos (científicos?)". A queda da fronteira entre a objectividade e a "poesia".

Muito interessante!

Nicolaias disse...

Agradeco a existencia deste blogue!

kurika disse...

Mesmo no alto só a ver...nem sempre é possível!!!


A altura tem que ser proprcional à execução, ... e esta não tem que ser física.

Beijos

Beatriz disse...

Olá Frásia,
Suponho que neste Post estejas a "denunciar" o estado dominante de "zona de conforto" em que se encontram os "altos postos" e a inviabilidade ou dificuldade de adopção nos "baixos postos" ;)
Se bem que uma determinada "altura" possa ter efeitos na "tentação" exercida pela "zona de conforto", estou convencida que há também factores internos a cada um de nós que são determinantes para que possamos "cair em tentação".
Tanto conheço "máquinas motoras", sempre insatisfeitas e com uma capacidade de trabalho, de questionar, de inovar enormes, como conheço "moscas mortas" incapazes de tomar uma decisão ou iniciativa por elas próprias. Conheço estes exemplos a desempenhar cargos em várias "alturas de posto" em que alguns desafiam a "regra" que aqui colocas.
Estou certa é que há dois factores que são enzimas na adopção do estado de "zona de conforto", um deles é a "altura do posto" (que utilizas neste Post), o outro é a idade (diga-se o que se disser, acho que este último tem um grande peso). Estes dois então, se combinados, criam um clima muito tentador para despertar toda a nossa inércia latente que porventura tenhamos.
Fico a aguardar as próximas lições :)
Bjs

Tulipa Negra disse...

Pior ainda que os corvos que não fazem nada são aqueles que nem sequer deixam fazer.
Eu lido diáriamente com alguns assim, são regentes de cadeiras cuja conteúdo programático não está minimamente adequado aos dias de hoje e não aceitam as alterações propostas por alguns assistentes que querem tornar o conteúdo útil.
Veio Bolonha e continuou tudo na mesma :(
Resultado: estou a ser preparada para a realidade de 1960 (se falhar no ano não é por muito)
A verdade é que também já estou na minha zona de conforto, só quero acabar o curso mesmo que 50% dele seja inútil. Acabamos por ser contagiados mesmo que não queiramos a principio :S
Bexju

Kalinka disse...

AMIGUITO
HOJE QUERO-TE JUNTO A MIM
QUERO TERMINAR O DIA NA TUA COMPANHIA, vem à festa, espero por ti...já recebi imensos Amigos/as.


Amigos e Amigas,

Hoje é dia de Festa - o 2º aniversário do KALINKA. Espero-vos para o tchim-tchim com o espumante.
COR - ALEGRIA - ANIMAÇÃO - MÚSICA serão constantes durante todo o dia.
Escolhi um lugar paradisíaco; compareçam com traje normal, à vontade; estarei todo o dia à vossa disposição; haverá momentos de poesia, convívio e até dança, além dos comes e bebes.

São 22h e, até às 00.00h a festa continua.

Dilbert disse...

Olá cachopa do sorrisinho lindo,

Eu cá acho que, infelizmente, a tendência para ficar na zona de conforto é o grande mal de qualquer ser humano.
Acho no entanto que há alguns de nós que se apercebem que, apesar de ser a opção mais agradável e aparentemente segura a curto prazo, acaba por contribuir a médio/longo prazo para a estagnação, impedindo o nosso crescimento e tornando-nos vulneráveis às adversidades do dia-a-dia.
Tirando raras excepções, julgo que as oportunidades existem em todos os momentos da vida de qualquer um de nós mas, para que sejam percebidas é fundamental que estejamos atentos e, acima de tudo, decididos a encará-las.
A necessidade de estar prontos para correr riscos é o que muita gente não quer... porque isso implica a saída da zona de conforto.
Sair da "zona de conforto" para a de "aprendizagem" é o grande desafio que nos é colocado, pois exige mudanças de atitude para enfrentar as dificuldades, superar os obstáculos, coragem para tomar decisões, as quais podem nem sempre ser as mais acertadas.
O que pode acontecer também é sair do conforto para o descontrolo, porque nos recusámos a passar pelo aprendizagem e, por força das circunstâncias, nos vimos obrigados a mudar sem estar devidamente preparados. É claro que é importantíssimo detectar uma oportunidade (é ela que geralmente faz a diferença, diferencia), mas julgo ser preciso ir mais além para que essa oportunidade não seja desperdiçada.
Para se aproveitarem as oportunidades que surgem no nosso dia-a-dia, tento seguir sempre o célebre cumprimento dos 4 PRINCÍPIOS DA OPORTUNIDADE que também dão pelo nome de os "4 As DA OPORTUNIDADE":
* ATENÇÃO: Devemos estar atentos ao que se passa ao nosso redor e não nos devemos ocupar com preocupações sem fundamento, ou mesmo boatos, pois deixamos de ver o que está ao nosso alcance. Quem não olha para a frente, além de não perceber boas oportunidades, corre o risco de acidentes. E muitas vezes as oportunidades estão a um palmo do nosso nariz e não as vemos. Portanto, é importante que sejamos curiosos e questionadores, pois só assim é que descobrimos coisas que passam despercebidas por quem simplesmente se acomoda e aceita tudo passivamente.
* ACREDITAR: Temos de ter consciência que as oportunidades existem, mesmo que não sejam fáceis. Aliás, as oportunidades nunca caem de graça no nosso colo, pois geralmente elas surgem disfarçadas de dificuldades ou mesmo na forma de problemas. Muitas vezes um problema a ser resolvido na empresa fora do nosso horário normal de trabalho ou mesmo da nossa área é uma excelente oportunidade de crescimento e promoção. E quantas pessoas não desperdiçam esta chance por não fazerem nada além da sua obrigação! Quantos de nós não conhece profissionais assim ? Também uma pequena idéia que se deixa de colocar numa reunião, por se considerar muito simples, a qual acaba por ser dada por um colega de trabalho com o mesmo pensamento é outra grande oportunidade perdida.
* APRENDER: Para aproveitarmos as oportunidades é fundamental que estejamos preparados, pois de nada adianta as condições em cima se as nossas competências deixam a desejar. Vale aqui o ditado: “Quem não tem competência não se estabelece”. É o que acontece com muita gente, que quer crescer, mas através de atalhos, sem passar pelo processo de aprendizagem. É nestes casos que se assiste à saida direta da zona de conforto para a de descontrolo, e quando nos percebemos já está tarde. A aprendizagem requer administração do tempo, vontade, determinação, sacrifícios, superação de obstáculos etc, não é tão fácil quanto muita gente gostaria, culminando com a desistência, mudança de foco e afetando negativamente a realização dos sonhos.
* ACÇÃO: Assegurado o domínio dos três princípios acima, é só partir para a prática, que o sucesso virá. Por outro lado, será uma grande perda de tempo ser portador dos mesmos, deixando de lado “o agir” por falta de coragem ou pela incerteza da mudança. É aqui que surge aquela velha pergunta: “E se não der certo?”. Essa dúvida cruel impede o crescimento de muita gente, pois é ela que faz com que as pessoas permaneçam quietinhas na zona de conforto até o dia em que se vêem na obrigação de mudar sendo talvez já seja tarde demais. A acção é fundamental, se alguma coisa der errada não significa que tudo esteja perdido, pois só não erra quem não tenta acertar, mas em compensação não vai para frente. Errámos, aprendemos com os erros e seguimos em frente novamente, mesmo porque outras oportunidades surgirão para quem dominar todos estes princípios.

Moral da história: Frásia, é impressão minha ou estás a mexer com a malta e tirar o pessoal da ZONA DE CONFORTO com estes teus Post (está a resultar comigo... um dia destes ainda volto a Postar), LOLOL

Jokinhas grandes

MRelvas disse...

Seria bom que as pessoas, todos nós, reflectíssimos nas respostas de Marcola líder do PCC.Isto é uma realidade que se passa não só no Brasil, mas em todo o mundo.É claro que ali se torna mais visível!...

Mas numa altura em que as forças de segurança se tornam cada vez mais civis!?...e os gangues,mafias e tudo o resto cada vez mais profissionais, é hora de reflectir.Um indivíduo destes nada tem a perder, enquanto os policais estão preocupados com o ritmo de vida, as famílias e passam o tempo a olhar para os relógios e dizem:

Ainda falta tanto para saír de serviço!...
O crime é cada vez mais profissional e está em todos os sectores.Temos que profissionalizar cada vez mais as forças de segurança e dar-lhes meios. para depois lhes exigir um combate mais iqualitário!
Não está fácil.
Reflictam!...
Mário Relvas
--------------

Retrato de um certo Brasil, cada vez mais extenso.

"Sim, porque eu leio Dante..." diz o entrevistado....

Entrevista dada ao Jornal O GLOBO por "Marcola", o líder do PCC
Colunista: Ronaldo Jabor

NOTA: Marcola é o chefe dos "gangs" brasileiros que puseram S. Paulo a ferro e fogo.

- "Você é do PCC?"

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural,
desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias. A solução que nunca vinha... Que fizeram ? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...

- Mas... A solução seria...

- Solução? Não há mais solução, cara... A própria ideia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento económico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até Conference Calls entre presídios...) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

- Você não têm medo de morrer?

- Você é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... Mas eu posso mandar matar vocês lá fora.. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li
3.000 livros e leio Dante... Mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, Internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

- O que mudou nas periferias?

- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... Ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de COMANDOSos. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim
que passa o surto de violência.

- Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... Pra acabar com a gente, só jogando bomba atómica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também uma daquelas bombas sujas mesmo... Já pensou? Ipanema radioativa?

- Mas... não haveria solução?

- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem porquê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogni speranza
voi che entrate!" - Vocês que estão entrando, percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno. "

linfoma_a-escrota disse...

muito bom este blog
non stop

WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

www.videodroma.blogspot.com

augustoM disse...

Os que passam a vida a descançar estão sempre num poleiro bem alto.
Um abraço. Augusto

Vladimir disse...

Quanto mais alto é o voo, maior é a queda.