Peregrinar neste blogue

2005-07-31

A primeira vez

Hoje entrei aqui e sinto-me literalmente feliz, perdoem-me a expressão. Aqui posso confessar os pecados. Os discos deixaram de funcionar, o arquivo não abre, a memória rompeu-se. Tudo é possível acontecer quando os mais básicos sinais de vida vão pelo cano abaixo. Gosto sempre de ir até ao limite. Depois é no que dá. Não há saída. Encaixo-me no beco e não consigo sair de lá. É sempre a mesma procura de conforto, o mesmo sentimento do dever cumprido ao não cumpri-lo. O transgredir. O alheamento daquilo que me rodeia. O fazer tudo às avessas, ao contrário, longe do que as pessoas esperariam, esses entes que andam por aí, pelo mundo fora, e que esperam alguma coisa de mim, alguma coisa válida e sumptuosa. É sempre o que a mãezinha espera de nós. Telefonar lá de longe e saber se comemos a sopa toda. Não sou exemplo para ninguém, admito-o. Não, não comi a sopa toda. Não, não acordo a horas. Não. Não.Não!
E o azar deles, o azar dos que correm a direito é que sinto prazer nisso, é que não quero mudar..Percebi que na infracção torno-me mais real, sinto-me mais viva. Oh, como é bom. Este vento a aguçar-me as artérias do paladar. A estontear-me. A ver. A ver. A ver. Completamente cega.Não. Digam-me, não é tudo assim? Serei a única? Há por aí mais alguém que gosta de pegar numa cruz e subir a colina até lá acima e pendurar-se nela, só para curtir? Só para ganhar calo? E está calor, não é? E está qualquer coisa no ar que não nos deixa respirar. E lá saímos de casa, não é? Lá nos encaixamos, lá nos embrutecemos mais umas horas. Não é? Sou só eu assim? Estarei tão deslocada neste planeta? Vá.. sai lá de casa. Pega lá nas tuas coisinhas. Penteia-te, não te esqueças. É assim em todo o lado, a queda para a infracção. O desregulamento civil. Agora vejam, vou demonstrá-lo. Posso dizer que faço parte de uma seita, irmandade, comissão, chamem-lhe o que quiserem. Vem do tempo da Antiga Grécia. A nossa função é fiscalizar o decreto olímpico, a chama, o sublime, o ardil da vitória. E não é por nenhuma razão em especial, ninguém ganha nada com isso, é apenas uma distracção para contar aos descendentes. Sócrates, Fedro, para fazer a recolha da paisagem e prolongar o iluminismo que vem de longe. Na verdade é só porque nos dá na mona. Para a alisar. É um jogo de parada e resposta. Desvendar a tramóia. Descobrir que toda a gente está sobre o mesmo piso. É a velha história do pecado. Das pedras. Viver é tão complicado. E tão fácil, é preciso inventar tanto.É...O tempo afecta-me. A sequência afecta-me. A rotina. Não digo coisa com coisa. O planeamento afecta-me, dá cabo de mim. A previsão, o ter tudo certinho. As contas em dia, o frigorífico repleto. A roupa pendurada por ordem alfabética. Os cartões todos na carteira. O ter dinheiro no banco. Os códigos. Segui-los. Há quem marque tudo por avanço. Que pesquise continuamente a solução mais acertada. Um investimento, a estadia, o percurso. Passo a passo. Ainda hoje ouvi dizer: "tens tudo marcado, tudo acertado?", e mais à frente, "isso é que é importante". O importante é cair de pára-quedas. Cair no meio do deserto, sem mapas, sem luzes, e que se lixe, e desenrascarmos-nos. O importante é cair no desconhecido. O importante é não conhecer. É partir do princípio. Cegos. E ver. Ver. Ver. Agora vejam. Eu nem quereria escrever isto logo no princípio, Dilbert:))Sem pressas, nada seria como o que acabaram de ler. Talvez uma história simples e concisa, sem estar a ferver e a pedir que me ajudem. Sem esta palha toda. Sem asneiras. Mas não. Gosto sempre de esticar a corda, preciso disso. Preciso do sufoco para viver. É necessário que me ponha em situação de perigo e depois tudo sai torto, com o cimento a estalar. Toda desfocada. Serei só eu assim? No final. Termina-se e parecemos uns heróis. Não. Não se tem medo de nada. Atirem-me do despenhadeiro, que será um prazer.

9 comentários:

Wakewinha disse...

As tuas palavras têm um misto de frieza e verdade, e por isso me arrepiei quando as li!

wind disse...

lolol e começaste muito bem:) Assim é que é;)

Kalinka disse...

LAZULI

Muito bem vinda a este cantinho já com vários colaboradores/as, mas onde todos somos aquilo k somos, ninguém é como ninguém...e, aí é que eu me delicio quando cá venho, em ver como 11 pessoas que colaboram se entendem tão bem, é sinal de k cada um respeita o espaço do outro, e isso é fundamental, para k haja sintonia entre pessoas completamente desconhecidas.
Dou-te os meus sinceros Parabéns pela forma simples e concisa que te apresentaste ao grupo, e...li num sufoco até ao fim, dps reli mais calmamente e pensei: somos de gerações diferentes e eu sinto o mesmo k tu, porque será? talvez na m/idade já não seja normal, mas na tua tudo isso é normalíssimo! dá-me um gozo, mas tb gosto sempre de esticar a corda, preciso disso!!!
quem diria?
1 beijoka de Boas Vindas, gostei muito mesmo da tua diferente apresentação. Continua assim.

Cristina disse...

Olá lazuli,

A vida hoje em dia é mesmo assim, lembro-me de quando era criança era tudo tão mais simples, e digo mais, aí em Portugal vocês vivem uma vida muito mais calma que nós aqui nos EUA...o stress aqui é demais mesmo...

Beijinho
:-)

lazuli disse...

wakewinha..isto é blá blá blá mas tem um fundo de verdade:)) beijos*

Wind, segura-me!! hehhehe:)

kalinka, assim espero. Dou-me bem com todas as gerações, porque o nosso tempo não é ontem nem amanhã. é...HOJE. Obrigada pelas tuas palavras de boas vindas!**

Nita 4 ever, não sei não...Isto alastra por todo o lado. Estás em que parte dos Eua? Beijos*

..e esta noite vou visitar tudo. Um beijinho para todos. E tu, Dilbert, espero que tenhas avançado com essas pinturas. Quero relatório:)

Dilbert disse...

Oi lazuli,
Que bom que te juntaste a nós linda :)
Grande começo este, vejo que captaste bem um dos espíritos do confessionário... não és só tu a sentir o que sentes... mesmo eu, e já quarentão, por vezes sinto vontade de não seguir códigos nem de ter tudo planeado ao milimetro... agora confesso que neste momento, e provavelmente por causa da idade (não sei), já sou muito mais conformista e dou mais valor e sinto maior necessidade de segurança... mas admiro esse espírito de necessidade de desbravar caminho que muitos sentem durante toda a vida e que todos nós (uns mais outros menos) sentiram algures em algum momento da vida com uma intensidade sufocante... é graças a isso que muitos novos caminhos se vão descobrindo...
Bem vinda linda lazuli, obrigado por passares a partilhar connosco as tuas perspectivas, beijokas fofas e inté já...

pipetobacco disse...

{ ... (underlined tree) ... }

Mocho Falante disse...

Olá olá. hoje cheguei aqui e tive duas belas surpresas, já temos som e uma nova redactora...bem vinda!!!

A Sonhadora disse...

Olá Dilbert, boa noite...tás bom? já viste as fotos do jantar em carnaxide?
vai ao meu blog que elas inda lá estão.
Beijinhos e espero que passes um bom fds.